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As mulheres rurais se fazem ouvir

Encontro de mulheres ruralistas no Brasil, organizado pela Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe, organização que proporciona voz e poder a este segmento da população do continente.
Quando as pessoas se calam, quando
não podem se expressar, nem mesmo chorando, é
porque estão submersas num drama de paralisante desamparo.
Vanete Almeida, sócia da AVINA, soube escutar o silencio
das trabalhadoras rurais do interior brasileiro e decidiu
agir: “No princípio, essas mulheres eram praticamente
mudas, quase não sabiam pronunciar seus nomes. A única
referência que possuíam era de suas comunidades.
Hoje, falam abertamente e têm um conhecimento de sociedade
mais abrangente”.
Vanete é a fundadora e coordenadora executiva da Rede
de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe
- Rede LAC, formada por 25.000 trabalhadoras e 250 organizações
em 23 países. Esta Rede promove o progresso e defende
os direitos deste amplo, porém ignorado, segmento da
população latino-americana, vítima da
pobreza, da violência, da discriminação
e do isolamento.
Na América Latina e no Caribe, a pobreza se concentra
no meio rural, onde duas de cada dez pessoas vivem e trabalham.
Destas, 74 milhões vivem na pobreza e 40 milhões
são indigentes, segundo o Fundo Internacional para
o Desenvolvimento Agrícola - FIDA. Nesta concentração
de pobreza, as condições de vida das mulheres
são especialmente duras, com baixos índices
de escolaridade e altos índices de violência
doméstica. Ainda que as condições variem
entre comunidades e países, a conexão de líderes
comunitários permite a busca em comum de soluções
duradouras.
Desde 1990, a Rede articulou dezenas de movimentos de mulheres
rurais em toda a América Latina, organizou encontros
nacionais e internacionais e participou em denúncias
e reivindicações para defender seus direitos.
Inclusive, algumas de suas integrantes conseguiram alcançar
cargos públicos em seus países.
Não é uma tarefa fácil manter reuniões
e comunicação entre elas e levá-las a
conhecer sua real situação. A maioria vive em
zonas isoladas, com enormes distâncias geográficas
entre uma e outra. São lugares onde não existe
infra-estrutura adequada para transporte eficaz nem para a
instalação de tecnologias de comunicação.
A Rede LAC as integra com suas parceiras e com o mundo. Como
diz Vanete, a participação das mulheres nas
conferências internacionais representa somente a metade
do caminho: “o trajeto entre as suas casas e o aeroporto
parece ser o mais complicado para elas”.
Graças à LAC, as experiências e necessidades
dessas mulheres começam a serem ouvidas. As comoventes
histórias de 22 destas mulheres de seis países,
pioneiras na articulação da Rede LAC e convertidas
em líderes comunitárias, foram registradas no
livro comemorativo “Uma história muito bonita”,
lançado em março de 2008 pela Rede LAC, com
o apoio da AVINA Brasil Nordeste e Museu
da Pessoa de São Paulo, Brasil.
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