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O futuro da América Latina

Jovens da comunidade de Recoleta em Santiago do Chile aprendem a ver e interpretar seu mundo, graças ao trabalho de produção audiovisual proferido pela jovem líder Francisca Cabrera, do programa juvenil Recreando América Latina, promovido com o apoio da AVINA.
Com apenas 20 anos, a estudante
universitária Francisca Cabrera já acumulava
uma experiência de três anos oferecendo semanalmente
oficinas de arte a crianças e adolescentes em risco
social em Santiago do Chile. Embora no começo lhe parecesse
difícil manter a atenção de algumas crianças
vítimas de dificuldades familiares, econômicas
e de uso de drogas, Francisca aprendeu não só
a cuidar dos interesses dessa população, como
também a procurar a atividade que melhor se adaptasse
às circunstâncias. “As crianças
com as quais trabalho neste ano são mais audiovisuais.
Daí que decidi ensinar como fazer produção
televisiva”.
Francisca faz parte do programa de formação
de jovens líderes latino-americanos “Recriando
América Latina”, iniciado em 2006 por Jorge
Razeto, líder-parceiro da AVINA em Santiago, com o
apoio de Marcia Sigüenza, líder-parceira do Equador,
e Joaquín Leguía, líder-parceiro no Peru,
e que inclui pessoal da rede da AVINA em 12 países
latino-americanos.
Atualmente, a América Latina tem 106 milhões
de jovens entre 14 e 25 anos. Sobre seus ombros recairá
a responsabilidade de tomar decisões amanhã.
No entanto, de acordo com dados de 2008 do UNICEF, 39% desses
jovens vivem na pobreza e 15 milhões sobrevivem com
menos de um dólar por dia. A taxa de desemprego nesse
segmento chega a 16,6%, quase três vezes mais que a
dos adultos, de acordo com dados da Organização
Internacional do Trabalho.
Essa rede continental organiza e interconecta jovens com espírito
empreendedor e transformador, com o objetivo de trocar conhecimentos,
experiências e educação, e proporcionar
redes que resultem em esforços para construir uma sociedade
mais justa, inclusiva e democrática no continente.
“Acredito que o mais importante é abrir uma janela
de esperança para a América Latina, até
porque os jovens de hoje serão os líderes do
futuro e os que devem ter a sabedoria e a capacidade para
construir uma sociedade diferente”, diz Jorge.
Dos encontros “Recriando América Latina”
já participaram 77 jovens entre 16 e 23 anos de diversos
países latino-americanos, os quais replicaram sua experiência
a milhares de jovens participantes dos projetos dos quais
são líderes. Entre outras coisas, se responsabilizam
não apenas pelo próprio futuro, mas com o futuro
da América Latina, além das próprias
fronteiras locais.
“Iniciativa como essa só pode ser concretizada
com organizações como AVINA, que convida a sonhar
e, em seguida, ajuda a construir esses sonhos”, diz
Jorge. “Trilhamos o caminho de forma muito unida, pensando
os passos, correndo riscos, assumindo tarefas e trabalhos,
e compartindo as alegrias e os sucessos”.
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